Se pudesse mudar de cidade fazia-o. Estou tão farta disto tudo.
23.11.11
21.11.11
You can feel the whole world and still feel lost in it. So many people are in pain - no matter how smart or accomplished - they cry, they yearn, they hurt. But instead of looking down on things, they look up, which is where I should have been looking, too. Because when the world quiets to the sound of your own breathing, we all want the same things: comfort, love and a peaceful heart.
Mitch Albom.
20.11.11
A place to stay . Enough to eat . Somewhere old heroes shuffle safely down the street, where you can speak out loud about your doubts and fears . And whats more no one ever disappears you never hear their standard issue kicking in your door. You can relax on both sides of the tracks , and maniacs don't blow holes in bandsmen by remote control . And everyone has recourse to the law . And no one kills the children anymore. And no one kills the children anymore.
The Gunner's Dream - Pink Floyd.
19.11.11
São 22:31h, Sábado, e eu vou dormir. Porque além de estar acordada desde as 9:00h da manhã, tenho a mania que dormir resolve tudo, além de passar o tempo, resolve. Só o facto de não pensar, já ajuda a resolver.
Nunca tiveram aquela sensação de adormecerem a pensar em mil e uma coisas que só vos fazem ficar tristes, de adormecer de olhos inchados e de respiração acelerada, e depois, quando acordam nada é como era? Parece que o sono limpa a alma. Até amanhã, e boa noite.
Para compreender, destruí-me. Compreender é esquecer de amar. Nada conheço mais ao mesmo tempo falso e significativo que aquele dito de Leonardo da Vinci, de que se não pode amar ou odiar uma coisa senão depois de compreendê-la.
A solidão desola-me; a companhia oprime-me. A presença de outra pessoa descaminha-me os pensamentos; sonho a sua presença com uma distracção especial, que toda a minha atenção analítica não consegue definir.
O Livro Do Desassossego - Fernando Pessoa.
18.11.11
O relógio que está lá para trás, na casa deserta, porque todos dormem, deixa cair lentamente o quádruplo som claro das quatro horas de quando é noite. Não dormi ainda, nem espero dormir. Sem que nada me detenha a atenção, e assim não durma, ou me pese no corpo, e por isso não sossegue, jazo na sombra, que o luar vago dos candeeiros da rua torna ainda mais desacompanhada, o silêncio amortecido do meu corpo estranho.
Nem sei pensar, do sono que tenho; nem sei sentir, do sono que não consigo ter.
Tudo em meu torno é o universo nu, abstrato, feito de negações noturnas. Divido-me em cansado e inquieto, e chego a tocar com a sensação do corpo um conhecimento metafísico do mistério das coisas.
Por vezes amolece-se-me a alma, e então os pormenores sem forma da vida quotidiana boiam-se-me à superfície da consciência, e estou fazendo lançamentos à tona de não poder dormir. Outras vezes, acordo de dentro do meio-sono em que estagnei, e imagens vagas, de um colorido poético e involuntário, deixam escorrer pela minha desatenção o seu espetáculo sem ruídos. Não tenho os olhos inteiramente cerrados. Orla-me a vista frouxa uma luz que vem de longe; são os candeeiros públicos acesos lá em baixo, nos confins abandonados da rua.
Cessar, dormir, substituir esta consciência intervalada por melhores coisas melancólicas ditas em segredo ao que me desconhecesse!… Cessar, passar fluido e ribeirinho, fluxo e refluxo de um mar vasto, em costas visíveis na noite em que verdadeiramente se dormisse!… Cessar, ser incógnito e externo, movimento de ramos em áleas afastadas, tênue cair de folhas, conhecido no som mais que na queda, mar alto fino dos repuxos ao longe, e todo o indefinido dos parques na noite, perdidos entre emaranhamentos contínuos, labirintos naturais da treva!… Cessar, acabar finalmente, mas com uma sobrevivência translata, ser a página de um livro, a madeixa de um cabelo solto, o oscilar da trepadeira ao pé da janela entreaberta, os passos sem importância no cascalho fino da curva, o último fumo alto da aldeia que adormece, o esquecimento do chicote do carroceiro à beira matutina do caminho… O absurdo, a confusão, o apagamento — tudo que não fosse a vida… E durmo, a meu modo, sem sono nem repouso, esta vida vegetativa da suposição, e sob as minhas pálpebras sem sossego paira, como a espuma quieta de um mar sujo, o reflexo longínquo dos candeeiros mudos da rua.
Durmo e desdurmo.
Do outro lado de mim, lá para trás de onde jazo, o silêncio da casa toca no infinito. Ouço cair o tempo, gota a gota, e nenhuma gota que cai se ouve cair. Oprime-me fisicamente o coração físico a memória, reduzida a nada, de tudo quanto foi ou fui. Sinto a cabeça materialmente colocada na almofada em que a tenho fazendo vale. A pele da fronha tem com a minha pele um contato de gente na sombra. A própria orelha, sobre a qual me encosto, grava-se-me matematicamente contra o cérebro. Pestanejo de cansaço, e as minhas pestanas fazem um som pequeníssimo, inaudível, na brancura sensível da almofada erguida. Respiro, suspirando, e a minha respiração acontece — não é minha. Sofro sem sentir nem pensar. O relógio da casa, lugar certo lá ao fundo das coisas, soa a meia hora seca e nula. Tudo é tanto, tudo é tão fundo, tudo é tão negro e tão frio!
Passo tempos, passo silêncios, mundos sem forma passam por mim.
Subitamente, como uma criança do Mistério, um galo canta sem saber da noite. Posso dormir, porque é manhã em mim. E sinto a minha boca sorrir, deslocando levemente as pregas moles da fronha que me prende o rosto.
Posso deixar-me à vida, posso dormir, posso ignorar-me… E, através do sono novo que me escurece, ou lembro o galo que cantou, ou é ele, de veras, que canta segunda vez.
O Livro Do Desassossego - Fernando Pessoa.
17.11.11
Y: se minha amiga, por favoooor.
X: siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim, pa sempe pa sempe.
Y: serio? que fixe!
X: yup. agora, se tu meu amigo por favooor.
Y: isso nem se pergunta quero ser para sempre
X: sempre? ou sempre sempre? ahah
Y: ate eu morrer
X: huum, isso é sempre?
Y: depois também então!
X: áh muito bem, ahaha.
Y: isso ja e para sempre.
X: yup.
Registo de conversa, Abril 2011.
16.11.11
Memórias de uma infância:
As pessoas de hoje em dia já não têm uma infância. Lembro-me de quando andava no infantário, na hora de ver televisão, de ver bonecos como o Gaspar e a Pipi das meias altas que tinha um cavalo e um macaco, dormia ao contrário, subia aos telhados e conseguia pegar em polícias. (Eu adorava a Pipi das meias altas!), hoje em dia as crianças vêem o quê? Nada mais nada menos, como o Noddy, o Ruca, A Dora exploradora … não esquecendo a ilha das cores! Que promovem, como toda a gente sabe, a educação e as boas regras e blá blá blá. Com 4 ou 5 anos, eu estava-me a lixar para as boas regras e para todas essas coisas, quanto muito sabia contar até 20 e escrever o meu nome. Continuando, tive uma fase em que pintava todos os desenhos a cor-de-rosa e azul, o que mostra muita criatividade da minha parte! Que coisa essa de pintar arco-íris às cores, se me dessem um arco-íris eu pintava-o de azul e cor-de-rosa sem pensar duas vezes. As tradicionais “bananas” que serviam de comida imaginária a muitos jogos das bonecas. As “bananas” é, nada mais nada menos, que qualquer coisa que existia numa árvore no infantário que se podia esfarelar. Lembro-me perfeitamente de ao vir para casa, passar num café que existia ao pé da creche e pedir à minha mãe para me comprar um daqueles colares que se comem, o quanto eu adorava isso! E, infelizmente, nunca mais vi disso à venda. Depois entrei na escola primária, lembro-me de beber o pacote de leite com chocolate oferecido pela escola e comer o tradicional pão com tulicreme (nutella quando o rei fazia anos, porque antigamente apesar de não se falar em crise, também se estava em crise!). De escrever a data completa, aquela gigantesca com o - Santa Comba Dão - escrito por extenso, de toda a turma ter de dizer em coro, sempre que um professor entrava na sala – Bom dia senhor(a) professor(a) e de por cima do quadro a giz estarem as letras do alfabeto (1ºano) e os reis (4ºano) (giz.. porque agora as crianças mal aprendem a ler/ escrever são logo bombardeadas com Magalhães e quadros interactivos e essas paneleirices todas que ajudam e motivam a aprendizagem). A escola começava às 9:00h e acabava as 16:00h, com um intervalo de meia hora pela manhã e duas horas de almoço. Hoje em dia as crianças estão na escola até as 17h30 e, se for preciso, ainda são encaminhadas para ATL’s, academias de estudos e coisas assim porque os pais só chegam dos empregos às 19:00h. Eu chegava a casa lanchava o tradicional pão com tulicreme (já que não gostava de mais nada com pão) e ia para a rua brincar. (Ainda sou do tempo em que se ia para a rua brincar!) Depois disso ia brincar com as bonecas, ou melhor com uma boneca que me foi oferecida pela minha avó no dia em que fiz 1 ano, chamava-se Andreia e apesar de estar a rebentar algodão ou lá o que aquilo é pelas costuras não a trocava por uma melhor. Tive também 3 peixes, todos se chamaram Filipe, não me perguntem porquê. E o meu gato, o chiquito que dormia na cama das bonecas ao lado da minha cama. Depois o ciclo, 5º e 6º ano’s, onde o nheeeeeeu, ou as xispas (incluindo a casa das xispas) e as aulas de história me fazem ter memórias muito felizes. Acabou o 6º ano, deixei de brincar com barbies. (Sim, só deixei de brincar com barbies no fim do 6º ano!) .Conheço muita gente que desde 6º ano já anda toda maquilhada e bem vestida, que já falam em ‘comer gajo X’ e que estão mais importadas com a cor dos próximos ténis de marca que vão comprar do que com a roupa que vão vestir às barbies nesse dia! Pois eu, até ao 9º ano andei vestida de qualquer maneira, e sem o mínimo traço de maquilhagem. Agora olha-se para uma míuda de 13 anos carregada de base até às orelhas, vestida com roupa da boa e da melhor, sempre a mandar mensagens. Por falar em mensagens, só no 8ºano é que tive um tarifário que me permitisse mandar 1500 mensagens por dia e até os dias de hoje o máximo que mandei num dia foi sensivelmente 200, mais coisa menos coisa.
Agora, que atingi a idade racional, como dizem os livros de filosofia no 10ºano, tenho mais cuidado na maneira como me visto (se bem que na maior parte dos dias pego na primeira roupa que me aparece à frente e lá vou eu para mais um diazinho na escola), sou mais responsável, penso melhor nas coisas que digo e todo um conjunto de coisas que fazem parte de uma rapariga de 15 anos que anda no 11ºano. Tudo isto para dizer que:
1- Tive um infância muito feliz.
2- A minha geração é muito relativa.
3- As crianças de hoje em dia nunca vão saber o que é uma infância.
P.S: Obrigada a todas as pessoas que tiveram paciência para ler isto.
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