Memórias de uma infância:
As pessoas de hoje em dia já não têm uma infância. Lembro-me de quando andava no infantário, na hora de ver televisão, de ver bonecos como o Gaspar e a Pipi das meias altas que tinha um cavalo e um macaco, dormia ao contrário, subia aos telhados e conseguia pegar em polícias. (Eu adorava a Pipi das meias altas!), hoje em dia as crianças vêem o quê? Nada mais nada menos, como o Noddy, o Ruca, A Dora exploradora … não esquecendo a ilha das cores! Que promovem, como toda a gente sabe, a educação e as boas regras e blá blá blá. Com 4 ou 5 anos, eu estava-me a lixar para as boas regras e para todas essas coisas, quanto muito sabia contar até 20 e escrever o meu nome. Continuando, tive uma fase em que pintava todos os desenhos a cor-de-rosa e azul, o que mostra muita criatividade da minha parte! Que coisa essa de pintar arco-íris às cores, se me dessem um arco-íris eu pintava-o de azul e cor-de-rosa sem pensar duas vezes. As tradicionais “bananas” que serviam de comida imaginária a muitos jogos das bonecas. As “bananas” é, nada mais nada menos, que qualquer coisa que existia numa árvore no infantário que se podia esfarelar. Lembro-me perfeitamente de ao vir para casa, passar num café que existia ao pé da creche e pedir à minha mãe para me comprar um daqueles colares que se comem, o quanto eu adorava isso! E, infelizmente, nunca mais vi disso à venda. Depois entrei na escola primária, lembro-me de beber o pacote de leite com chocolate oferecido pela escola e comer o tradicional pão com tulicreme (nutella quando o rei fazia anos, porque antigamente apesar de não se falar em crise, também se estava em crise!). De escrever a data completa, aquela gigantesca com o - Santa Comba Dão - escrito por extenso, de toda a turma ter de dizer em coro, sempre que um professor entrava na sala – Bom dia senhor(a) professor(a) e de por cima do quadro a giz estarem as letras do alfabeto (1ºano) e os reis (4ºano) (giz.. porque agora as crianças mal aprendem a ler/ escrever são logo bombardeadas com Magalhães e quadros interactivos e essas paneleirices todas que ajudam e motivam a aprendizagem). A escola começava às 9:00h e acabava as 16:00h, com um intervalo de meia hora pela manhã e duas horas de almoço. Hoje em dia as crianças estão na escola até as 17h30 e, se for preciso, ainda são encaminhadas para ATL’s, academias de estudos e coisas assim porque os pais só chegam dos empregos às 19:00h. Eu chegava a casa lanchava o tradicional pão com tulicreme (já que não gostava de mais nada com pão) e ia para a rua brincar. (Ainda sou do tempo em que se ia para a rua brincar!) Depois disso ia brincar com as bonecas, ou melhor com uma boneca que me foi oferecida pela minha avó no dia em que fiz 1 ano, chamava-se Andreia e apesar de estar a rebentar algodão ou lá o que aquilo é pelas costuras não a trocava por uma melhor. Tive também 3 peixes, todos se chamaram Filipe, não me perguntem porquê. E o meu gato, o chiquito que dormia na cama das bonecas ao lado da minha cama. Depois o ciclo, 5º e 6º ano’s, onde o nheeeeeeu, ou as xispas (incluindo a casa das xispas) e as aulas de história me fazem ter memórias muito felizes. Acabou o 6º ano, deixei de brincar com barbies. (Sim, só deixei de brincar com barbies no fim do 6º ano!) .Conheço muita gente que desde 6º ano já anda toda maquilhada e bem vestida, que já falam em ‘comer gajo X’ e que estão mais importadas com a cor dos próximos ténis de marca que vão comprar do que com a roupa que vão vestir às barbies nesse dia! Pois eu, até ao 9º ano andei vestida de qualquer maneira, e sem o mínimo traço de maquilhagem. Agora olha-se para uma míuda de 13 anos carregada de base até às orelhas, vestida com roupa da boa e da melhor, sempre a mandar mensagens. Por falar em mensagens, só no 8ºano é que tive um tarifário que me permitisse mandar 1500 mensagens por dia e até os dias de hoje o máximo que mandei num dia foi sensivelmente 200, mais coisa menos coisa.
Agora, que atingi a idade racional, como dizem os livros de filosofia no 10ºano, tenho mais cuidado na maneira como me visto (se bem que na maior parte dos dias pego na primeira roupa que me aparece à frente e lá vou eu para mais um diazinho na escola), sou mais responsável, penso melhor nas coisas que digo e todo um conjunto de coisas que fazem parte de uma rapariga de 15 anos que anda no 11ºano. Tudo isto para dizer que:
1- Tive um infância muito feliz.
2- A minha geração é muito relativa.
3- As crianças de hoje em dia nunca vão saber o que é uma infância.
P.S: Obrigada a todas as pessoas que tiveram paciência para ler isto.
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