Não somos, se não, uma representação daquilo que não queremos ser. Mostramos algo que não somos. O verdadeiro conhecimento de nós próprios é quando somos capazes de nos analisar do lado de fora e não nos reconhecer. Somos duas pessoas numa só. Uma que conhecemos e outra que nos é mostrada. Não somos se não um misto de vontade e de ser. Como dizia José Saramago – dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos. Será que é isso? Não passaremos nós de simples anónimos com rosto? Por mais voltas que dê pela minha insaciada descoberta não encontro nada do que já sei. E o que dizer quanto àquilo que pensamos e não dizemos? Não passaremos nós de uns míseros cobardes com medo das consequências boas ou más que tal pode trazer? Uma vez disseram-me – Tu és daquelas pessoas que quando queres dizer uma coisa dizes e não tens medo das consequências. Serei mesmo? Não passo de uma constante de instabilidade estável. Sou anormal, uma anormal da sociedade talvez, pois se calhar digo aquilo que é difícil de dizer para as outras pessoas e aquilo que é tido como fácil, básico, fujo a sete pés. Não passo senão de uma peça invertida do puzzle. Talvez seja isso, talvez esteja aí a razão da falta de compreensão pela minha pessoa.
Raquel.
No comments:
Post a Comment
0!